domingo, 11 de dezembro de 2011

Minha Preta

- Você sente-se bem?
- Não.
- Por quê?
- Não sei, sinto como se algo dentro de mim fosse me devorar.
- Algo? O quê? Do que está falando?
Suspirei por um segundo antes de responder e logo desparei: - Esse amor... Essa coisa está me devorando. Está me matando, me comendo de dentro pra fora. Isso não está certo e eu realmente não sei como fazer pra tirar isso de mim. Pra jogar pra fora, acabar com isso ou achar um jeito de alimentá-lo sem ser dos meus orgãos, dos meus pensamentos. Dos meus sentimentos.
Um silêncio intenso tomou o lugar assim que acabei de falar. Fiquei olhando para o rosto dela, tentando decifrar o que ela estava sentindo ou o que ela estava pensando e de repente ela se atropelou nas palavras.
- Você é um idiota. Você me perde porque quer. Você faz isso porque você quer. Você me tem nas mãos e ao invés de fechar os dedos e me prender, você faz questão de abrir bem pra ver se me deixa escapar.
De verdade, eu não sabia o que dizer depois daquelas frases atropeladas dela. Não sabia como responder ou como corresponder à aquilo. Assenti com a cabeça e senti o olhar dela queimar em meu rosto. Abaixei o olhar rapidamente; eu não era capaz de encará-la. Não agora. Não naquela situação. Mantive o olhar baixo enquanto pude, até que ela soltou aquele suspiro baixo, aquele que ela sempre solta quando está farta de algo. Nessa hora percebi que, ou havia a perdido de verdade ou... Sei lá. Senti os dedos gelados da mão dela tocar meu rosto, fiquei mais gelado ainda. Nervoso maldito, engole esse choro, rapaz. - pensei. E então, ela com a voz mais calma e de um jeito mais manso disse:
- Eu te amo. Eu te amo muito. Mas não sei o que fazer contigo, comigo... Com a gente.
Ela tirou os dedos do meu rosto e eu fiquei mais uns segundos enfeitiçado por aqueles olhos meio verdes, meio castanhos, meio alguma coisa que eu não sei o que é. Meio eu te amo, meio... Deixa pra lá. Voltando do transe, eu sorri meio sem graça, meio sem jeito e procurei um jeito de me afastar. Não consegui, o que já era de se esperar, ao invés disso, dei um passo para frente e agarrei pela cintura. Deixei ela sentir meu hálito quente de um-quase-choro percorrer o pescoço que ela tentava esconder sem muito sucesso. Suspirei algumas vezes e soltei desesperado próximo ao ouvido dela: - Eu te amo, eu te amo, eu te amo muito mais do que todos esses "eu te amo" possa expressar. Eu te amo de um jeito que ninguém mais vai amar. Eu te amo de um jeito unico e bonito. E eu posso não ser o melhor cara do mundo, mas sou unico com todo esse amor louco e desenfreado por você. Preso dentro de mim, mas é por você. Eu sei, não é assim que você quer, não é assim que você sonhou. Mas deixa eu te fazer sorrir. Beijei aquele vãozinho entre a orelha e o pescoço dela assim que terminei a frase, senti ela se arrepiar e vi um sorriso bobo aparecer em meus lábios. Os braços dela se apertou em meu pescoço e eu a apertei em mim. Queria fundir meu corpo no dela naquele momento, queria parar o mundo inteiro, queria fazer ela entender que eu sou o idiota dela. Que eu sou o cara que ela odeia, mas ao mesmo tempo o que ela mais ama. Então, ela disse baixinho:
- Eu te odeio.
Sorri satisfeito ao ouvir aquilo, não sei por quê, mas de alguma forma eu sabia que aquilo era um "eu te amo" disfarçado. Subi minhas mãos e peguei as dela, entrelaçando nossos dedos. Dei um passo para trás, fitando os olhos dela. Selei o nossos lábios e logo murmurei: - Somos um só. Sempre vamos ser. Segura na minha mão e te apoia em mim. Não posso prometer que você não vai cair, mas posso prometer que vou estar lá pra te ajudar a levantar. Eu te amo, minha Preta.

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