quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Luz de velas

Olha Preta, eu tenho uma vida inteira ligada a você e não posso, simplesmente, puxar a tomada. Eu desencadearia um apagão danado e viveria a restos de velas achados dentro de uma gaveta qualquer na sala. 


Mas, mesmo sabendo disto eu puxei a tomada. E agora, não vejo absolutamente nada em minha frente. Não achei nenhum pedaço de vela pra me dar luz, como eu havia dito porque na verdade, ainda não procurei. Por medo de achar nossas fotos jogadas dentro da gaveta. Então, acendi meu celular, foi suficiente pra achar minha cama... Estou aqui, jogado nela, abraçando meu travesseiro. Tenho lágrimas nos olhos, muitas lágrimas. Um choro maldito que não cessa. 


Não quero levantar daqui, não quero começar do zero, mas também não quero ligar a tomada, de novo. Tem um curto circuito nesses fios embolados. Não quero deixar pegar fogo. 


Acendi meu celular de novo, agora estou indo na sala pegar a vela que eu disse. Vou com o pensamento focado apenas nas velas, se acaso vier uma foto nossa junto, finjo que não vi que é pra não deixar mais lágrimas escorrer. Deixo uma luz acesa, tomo um banho rápido pra tirar essas lágrimas salgadas do meu rosto, abro um sorriso falso no rosto e encaro a vida de novo. 


Deixo um aviso na caixa de entrada do seu celular: Se você ainda quiser passar por aqui, eu te recebo... Mas aquela tomada vai ficar desligada, deixa aqueles fios quietos, recomeçamos do zero, feito? 


Mas isso é só se você vier me visitar. Enquanto isso, fico com minhas velas e meu sorriso de meia boca. Ninguém precisa saber o que se passa. Ou o que passou. 


Assopro a vela agora e, deito em minha cama. Boa noite, minha Preta. Esse é meu ultimo pensamento do dia. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário