sábado, 10 de dezembro de 2011

Não leia

Não leia isso, aqui tem tudo o que você não quer ler.

Peguei o celular e apertei os números quase que automaticamente, dei conta que estava te ligando, quer dizer, estava quase te ligando. Apertei desesperadamente "cancelar chamada", quase acabei com o botão do celular e quando finalmente desligou, suspirei, não sei se de alívio ou se de arrependimento por não ter deixado chamar.

No final das contas, foi melhor assim. Você sabe. O que eu ia dizer? O que íamos dizer? Ficaríamos ambos calados sem saber como agir. Eu diria "Parabéns, universitária." você ia sorrir e dizer "obrigada", logo não teríamos mais assunto. Eu ia arrumar uma desculpa qualquer pra desligar e você ia fingir que acreditou que eu realmente ia fazer aquilo que disse.

Tenho estado com alguém, tenho tido carinho, tenho tido atenção, mas sinto falta de algo que só você sabe como preencher. Não sei o que é. Na verdade, eu não faço a mínima ideia do que seja. Você tem um jeito estranho, ciumento, possessivo e protetor de ser, acho que é disso que sinto falta. Posso ter tudo isso com outro alguém, posso gostar, posso querer, mas você ainda não saiu da minha cabeça e nem desocupou aquele canto do meu coração.

Não vou te pedir pra sair. Não vou te pedir pra ficar. Faça o que você quiser, eu aceito tudo. Juro. Um beijo da sua - sempre - guria. Te cuida enquanto eu não cuido. E eu avisei pra não ler.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tentei não falar sobre você... Falhei!

Tenho me proíbo de escrever sobre você. Procuro, de todas as formas, desviar meus pensamentos e não te jogar uma enchorrada de palavras. Porque tudo o que eu tenho pra dizer ainda está em processo, talvez eu consiga daqui algum tempo ou talvez eu apenas guarde isso pra mim pelo resto da vida.

Queria saber falar o que você quer ouvir, mas não tenho nada muito bom pra te dizer. Só que sinto falta de você todos os momentos, mas é uma falta que dá pra ser suprida. Não é uma falta que me sufoca, é uma saudade gostosa de sentir, até. Te guardei na parte bonita da minha vida.

As discografias dos Los Hermanos, Legião Urbana, Marcelo Camelo, Thiago Pethit, Mallu Magalhães e Tiê estão todas aqui, ainda. Devo dizer que tenho ouvido mais À Palo Seco; A Outra; Dois Barcos; Olha só, Moreno; Os outros tem ficado sempre pra depois, depois que não chega nunca. Ah, tenho ouvido He is We também, sabe aquela All About Us? Então...

Te cuido de longe, minha Preta. Fica atenta, que eu te observo mesmo sem você perceber. Fica atenta, que eu te amo mesmo sem querer. E mais uma vez: Fica atenta.

Ainda te cuido, mas se cuida enquanto eu não estiver. Sua Guria - meio torta, meio ela.

Ano de merda

Fala pra mim quem é que não se fodeu nesse ano maldito que foi o de 2011. Fala que você foi feliz e que não teve nenhuma decepção que eu te corto o que você tem de mais valioso, fora. Não minta, cara. Sua vida tá uma merda e foi uma merda esse ano. Vamos lá, você passou na faculdade? Ok, pontos pra você. Você fechou o semestre sem pegar nenhuma DP? Não? Ok, pontos pro ano de merda. Você namorou a menina mais linda? Ok, pontos pra você. Ela mora na mesma cidade que você? Não? Ok, pontos pro ano filho da puta. Você está tão empolgada que está dizendo que meu texto não faz sentido. Ok, tudo bem, ele não faz sentido. Mas o que nesse ano fez sentido? A morte do Bin Laden?

Meu querido ano de 2011, chega. Eu já cansei de você e de toda a sua merda. Pode sair e nunca mais voltar, por favor? Desejo a você tudo que você não me deu. Boa sorte em 2012.

Sem sorrisos por hoje

Sorrio pouco, se quer saber. Na verdade, eu desacostumei com essa coisa de "sorrir", sabe? Pra que mostrar os dentes e fazer um barulho estranho pra alguém que, pra você, é mais estranho ainda? A vida não tem sido fácil, sabe como é.

Um dia desses me peguei olhando meu reflexo no espelho. Expressão fechada, olhos caídos, sobrancelhas retas, sorriso que não existia nem se eu forçasse. Um "Por quê?" ecoou dentro da minha cabeça e eu abri um pequeno e discreto sorriso no canto dos lábios. Eu estava me olhando ali, e não sabia porque diabos eu estava daquele jeito. Mas eu estava. Eu estava pra baixo. Estava assim... Sei lá. Nada parecia fazer diferença. Nem aquela imagem horrenda na minha frente poderia fazer diferença, quer dizer, aquilo é o que menos faria diferença.

Depois de perceber aquele sorrisinho amarelho no canto de meus lábios, voltei a expressão inicial. E vi uma lágrima surgir no canto de meus olhos. Eu não queria chorar. Eu nunca quero chorar. Mas eu precisava, algo ali, precisava ser posto pra fora. Algo ali, precisava sair. Eu precisava sair de mim.

A minha vontade, na verdade, era de socar aquele espelho e me ver toda despedaçada no chão, faria mais sentido. Sim, faria. E como faria. Um pouco do sangue dos cortes que iam surgir em meus dedos, daria o toque final em todos aqueles pedaços de mim. Mas eu não podia. Eu tinha algo maior a tratar. Eu tenho algo maior a tratar. A lidar. Eu tenho um "eu" bem grande dentro de mim precisando ser curado.

Sai do banheiro e percebi que havia chorado menos do que eu imaginava, na verdade, acho que foi apenas uma lágrima e só. Estou seca demais. Entrei para o meu quarto, fechei a porta, caminhei de um lado para o outro como se procurasse algo, me dei conta que estava procurando a mim. Resumi mentalmente: Estou enlouquecendo. Caminhei até a cama, deitei devagar e estendi a mão para desligar o interruptor da luz, o fiz. Fechei os olhos e descobri que as coisas só fazem sentido quando me desligo. De mim. De você. De nós e de todo o resto.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Carta sem remetente

Chega um momento que as coisas não cabem mais dentro de você e tudo o que você mais quer, é botar pra fora. Algumas pessoas gritam, algumas choram, outras apenas escrevem.

A forma mais fácil de falar sem que ninguém te ouça, é escrever. Eu não quero ser ouvido, de verdade. Eu apenas quero desabafar algo preso dentro de mim. Essa coisa que mais parece aquelas bigornas de cartoon, amarrada ao meu pescoço me puxando pro fundo do buraco. Pro fundo do poço. Pro fundo do fundo da vida. O fracasso. O fracasso de um lutador. De um jogador. Esse sou eu.

Cai, meus amigos. E agora sinto como se o chão fosse tão macio que não quero me levantar, quero apenas me revirar aqui e olhar para o céu. Deixa eu contar algumas estrelas, deixa eu ver o sol nascer, deixa eu ver o sol sumir e o céu se transformar em um pano preto imenso antes que a chuva caía. Deixa. Me deixa.

Eu sei que posso ser melhor, mas deixa essa chuva cair, deixa esses trovões ecoarem dentro da minha cabeça. Que essa enchorrada leve todos os erros embora, todos os amores mal resolvidos, todos os sentimentos não correspondidos. Lava minha alma, me deixa novo.

Tras um sol daqueles que queimam a alma, daqueles que te dá vontade de viver. Tras o calor do dia, o calor da alma. O calor do amor. Tras pra mim aquela que vai me fazer sorrir só por existir. E aproveita pra trazer aquela vontade de viver que você tirou quando se foi.

Obs: Se você achou essa carta, é porque revirou minhas coisas. E se você fez isso, é porque está com saudades.

Um beijo, seu Menino.

http://letras.terra.com.br/nickelback/1987511/traducao.html
Preciso de um carinho que ninguém me dá, mas tudo bem, isso deve passar. Pelo menos é o que todos dizem, então vai passar, não é? Uma hora ou outra, toda essa carência acumulada deve esvair-se. Ninguém é carente pela vida toda. Ou será que é? Será?
Fica a dúvida.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sem sentido III

- Uma coisa é uma coisa e outra coisa não tem nada a ver com a primeira coisa.
- Ahn?
- É isso ai. 
- Mas isso o quê? 
- Isso! 
- Isso?
- Não. 
- Ah, tenha dó. 
- Dó? Dó ré mi fá sol lá si Dó. 
- Agora deu pra tirar onda com a minha cara? 
- Onda? Se eu tirar uma onda com a sua cara, você morre afogada, não acha? 
- Caralho!
- Uhn... Bravinha. 
- Vai se foder. 
- Irei. 
(silêncio)
- Acalmou?
- Não. 
- Interessante. Posso sentar aqui, de novo?
- Vai calar a boca?
- Não. 
- Então, não. 
Sentei assim mesmo.
- Então... Por que a raiva?
- Você. 
- Eu?
- Eu. 
- Ahn?
- Nada.

Uma hora a vida continua...